PassagiAtina Art Residency in Italy August 2019

September 22, 2019

Pensamentos, notas, reflexões que incorporei na minha Performance.

Thoughts, research notes and inner reflections that I used in my Performance.

Dia 1

19.8.2019

Cheguei a Atina dia 18 de Agosto, verde e montanhosa, graciosa e casa de deusas. Deusas essas que escondem-se em pequenas grutas. Aparições fêmeas que a Igreja consagrou ao homem pendurado na cruz.

Os peregrinos chegaram, acordei de manhã cedo depois de uma longa viagem tardia do dia anterior, acordei ao som repetitivo das suas preces e canções. A Passagi de Atina, a verdadeira passagem.

Os estandartes que carregavam eram de duas santas, uma delas a Madona preta segurando o menino(ou menina?) ao colo, verdadeira simbiose da antiquíssima e esquecida deusa egípcia Isis.

Nesse mesmo dia fiz imediatamente uma visita à biblioteca que fica ao lado do Asilo onde estamos a pernoitar. Lá revistei os dossiers sobre Atina e a história do Asilo.

As freiras eram as professoras aqui, e uma foto fascinou-me. Três freiras numa fotografia a preto e branco a sair da igreja pareciam-me uma visão das três Nornas saindo do obscuro para a luz, dando-lhes umas feições maquiavélicas, e eu digo, tragam da escuridão, da sombra, a alma do povo, manifestem das entranhas da alma e história humana estas três faces, as faces do tempo, a Passagem.

O que é esquecido não desaparece por completo, antes, fica recalcado e é re-imaginado no coletivo. O passado está sempre presente, na memória ou nos estandartes e brasões de um povo.

I arrived in Atina on August 18th, green, hilly and graceful. The home of goddesses hiding in small caves, female apparitions that the Church consecrated to the man hanging on a cross.

The pilgrims arrived, I woke up early in the morning after a long late trip the previous day, woke up to the repetitive sound of their prayers and songs. Atina’s Passagi, the true passage.

The banners they carried were of two saints, one of them the black Madonna holding the boy (or girl?) on her lap, a true symbiosis of the ancient and forgotten Egyptian goddess Isis, perhaps?

That same day I immediately visited the library next to the Asilo Beatrice, our home and studios for the duration of this Art Residency. In the library I searched the files on Atina and the history of the Asilo.

The nuns ran a school here, and a picture fascinated me. Three nuns in a black-and-white photograph coming out of the church seemed to me a vision of the three Nornas coming out of the dark into the light, giving them Machiavellian features, a metaphor, bringing forward the darkness, the shadow, the soul of the people manifesting, collective history; these three faces as the faces of time, the Passage.

Here, what appears forgotten does not disappear completely, but is repressed and re-imagined in the collective. The past is always present in the collective memory and in the banners and coats of arms of its people.

Dia 2

20.8.2019

Aprendi neste dia com Luciano Caira encarregado da biblioteca de Atina e R. Orazio Paolo historiador local e apoiante da nossa Residência ( http://www.naturalmenteatina.it/) que a Madona Preta vem originalmente da antiga deusa pagã Mefite cujo devotos ofereciam dádivas de patas, mãos e cabeças de animais (Ex-votos).

Com tanta riqueza de história que existe nesta pequena comunidade é natural que o povo tenha orgulho de sua arqueologia. Ela está em todo lado que se olha.

A deusa sempre presente, aqui a Madonnina na pequena gruta, ali a Madonella na capela em cima do monte.

Às vezes esqueço-me que estou na Itália, penso que estou algures em Portugal e que uma voz comum do passado conecta-me a este lugar.

Eu sinto que pertenço a verdejantes enclaves como este, como se de um ninho tratasse, aconchegado nos braços da deusa mãe terrestre.

A deusa é da terra, do lugar, do ermo e do monte. A moira encantada sussurra encantos e feitiços das sombras por entre os arbustos e árvores.

Há por aqui uma peregrinação ao ermo da Madonna Preta, a deusa de Melfa (Mefite), que deu nome ao rio.

Mãos e pés, e cabeças e as meias pretas das velhas viúvas, outra coisa herdada dos gregos. O collant preto que se leva à missa, que é a vestimenta preferida da mulher mediterrânea. A imagem da viúva beata.

Aqui em Atina os peregrinos eram de todas as idades e para minha surpresa havia muitos jovens, que também cantavam “ E viva Maria del ermo Canneto”.

Luciano deu-me um presente, uma das peças tradicionais que as mulheres de Atina usavam nos trajes típicos. Um “ Uammacile”, uma peça de tecido branco de algodão engomado e pregado com um alfinete de motivo na dobra.

I learned today from Luciano Caira who is in charge of the library of Atina and R. Orazio Paolo local historian and supporter of our Residence (http://www.naturalmenteatina.it/) that the Black Madonna originally comes from the ancient pagan goddess Mefite whose devotees offered gifts such as paws, hands and heads of animals (Ex-votos). With such rich history in this small community, it is only natural that the people are proud of their archeology. It is everywhere you look. The ever-present goddess, down in the town Madonnina in the little cave, and up the hill Madonella locked up behind bars inside a little chapel. Sometimes I forget that I am in Italy, I think I am somewhere in Portugal and that a common voice from the past connects me to this place. I belong to this verdant enclave, as if it were a nest, nestled in the arms of the earthly mother goddess. The goddess is of the earth, the place, the wilderness, and the hill. The enchanted “moira” whispers charms and spells from the shadows through the bushes and trees. The pilgrims go to the wilderness of the Black Madonna, the goddess of Melfa, which is the name of the river.

Hands and feet, and heads and black stockings of the old widows, objects inherited from the Greeks. The black stocking and the black lace worn to mass, which is the favorite dress of the Mediterranean woman. In my mind I have the Iberian image of the female Mediterranean widow, which is a legacy left also by the ancient Greeks.

I noticed that the Atina pilgrims were a group composed of all ages and to my surprise there were many young people amongst them. They sang “And Long live Maria of the wild Canneto”.

Next day Luciano gave me one of the traditional headpieces Atina’s women wore as part of their traditional costumes. An “Uammacile”, a piece of white starched cotton fabric pinned with a motif pin in the fold.

Dia 3

21.8.2019

Há dois pequenos espaços dedicados à Nossa Senhora. Cá embaixo na ViaVista uma gruta com a “Madonnina” e lá encima num monte uma capelinha com a “Madonnela”.

Os peregrinos dormem ao relento, as nuvens rasgam o céu com trovoadas. Chuva cai aliviando o calor intenso.

No dia 18 de agosto a Madonna Preta sai de Sete Fradi na sua jornada até Canneto, depois ela retorna no dia 22 de agosto. Nesta altura ela veste um vestido e manto especial.

Os peregrinos cantam um verso “ E viva Maria del ermo Canneto”.

There are two small spaces dedicated to Our Lady. Below in ViaVista a cave with “Madonnina” and above it up on a hill a chapel with “Madonnela”. Pilgrims sleep scattered everywhere in town under the open skies, clouds tear the sky with thunder almost everyday after 4pm. Rain falls relieving the intense heat. Between 6. -8pm a wind blows through these mountains.

On August 18th the Black Madonna leaves Sete Fradi on her journey to Canneto, then she returns on August 22nd. At this point she wears a special dress and cloak. The pilgrims sing a verse, “Long live Mary of the wild Canneto.”

Below is a video link and a sound portion of my rehearsal:

https://vimeo.com/360841091

Dia 4

22.8.2019

De onde vem a etimologia do nome Atina?

A adage “ Atina figlia de Saturno” que significa Atina, filha de Saturno vem da lenda que Saturno ele próprio fundou a vila de Atina entre umas poucas outras na Itália. Depois de ele ter sido expulso de Olympus como Cronos, mestre do tempo, andou exilado pela terra entre os mortais. Ele ensinou aos homens a arte da guerra, a agricultura e como construir muros. Disfarçou-se de pastor de cabras. A primeira visita que fez na terra foi Cnossos na Grécia.

Pensa-se até que o nome Atina venha de Atenas.

Outra teoria é a lenda que diz que o povo italiano tem as suas origens no povo da terra de Canaã, a antiga terra invadida pela antepassados Israelitas, acredita-se que os refugiados dessa terra tenham viajado grandes distâncias até chegar à Itália e nomeadamente Atina.

Todos estes povos trouxeram com eles a adoração a Isis, que nos tempos de hoje se transformou na Madonna Preta. Pensa-se também que a origem do povo italiano tem raízes no Egito e na Líbia.

A Madonna Preta encontra-se também em território da França, Bélgica e Suíça. Ela é um sincretismo de todas estas raízes que mencionei, a deusa do vulcão e a Isis Egípcia).

Where does the etymology of the name Atina come from?

The town’s moto “Atina figlia de Saturn” which means Atina, daughter of Saturn comes from the legend that Saturn himself founded the village of Atina among a few others in Italy. After he was expelled from Olympus as Cronos, master of time, he went into exile among the mortals. He taught men the art of war, agriculture, and how to build walls. He disguised himself as a goat herder. The first visit he made on earth was Knossos in Greece. (Orazio even suggests that maybe Atina and Athens have a correlation?)

It is believed also that the people of Atina may come from the land of Canaan, the ancient land invaded by the ancient Israelites, and that they sought refuge far and wide, as far as Atina. These people brought with them the worship of Isis, who today has become the Black Madonna. It is thought that the origin of the Italian people is also rooted in Egypt and Libya.

The Black Madonna can also be found in France, Belgium and Switzerland. She is the result of a syncretism of all these roots mentioned above (volcano goddess and Egyptian Isis).

Dia 5

23.8.2019

Tenho vindo a fazer a minha vestimenta de ritual/Performance. Todo Ritual acarreta uma vestimenta própria. Existe em mim um desejo de criar uma ideia de deusa nova, um exorcismo de deusa cabra. Em italiano a palavra “cabra” tem uma notação negativa. Capri é um bode, Capri feminina é uma cabra fêmea.

Portanto Cabra tem conotações de mulher perdida, de prostituta talvez. Visto que a igreja condenou o Paganismo e tratou de adulterar a ideia das antigas deusas na Mãe de Cristo pela Europa fora, eu faço por assim dizer, uma Performance feminista.

Vou por assim dizer, fazer renascer a filha de Saturno, o culto a Saturno foi muito vivo aqui em Atina e todos os habitantes têm um conhecimento actual muito vivo deste facto.

Há também uma correlação com Janus, o deus dos princípios e dos fins, de portões, transições, dualidade, orlas de entradas e passagens. Este deu-nos o nome do primeiro mês do ano, Janeiro. Regido por Capricórnio!

Dizem que Camese, irmã de Janus foi adorada aqui em Atina, houve um sincretismo, sendo que alguns peritos dizem que ela era como uma espécie de Camese egípcia.

Saturno deu o nome “Satur-day”, que é o primeiro e também o último dia da semana, tal como na natureza tudo renasce. Portanto o dia de Saturno é o dia que marca tudo o que é transitório e que se situa no limiar.

Vou fazer um parêntesis aqui porque acho interessante que o animal consecrado à antiga deusa Lusitânia, Atégina, cujo nome é similar a Atina, era a cabra. Talvez uma influência dos antigos Gregos e povos do norte de África e médio Oriente que também colonizaram ou transitaram pelos nossos litorais.

I have been doing my ritual / performance attire. Every ritual carries its own clothing. There is in me a desire to create a new goddess idea, a kind of exorcism of goat goddess.

In Italian the word “goat” ( cabra) has a negative notation. Capri is a goat, Capri feminina is a female goat. So Goat has connotations of lost woman, prostitute perhaps. The catholic church condemned Paganism and turned the idea of the ancient goddesses into the Mother of Christ whilst demonising other aspects. I guess my Performance will be a feminist performance. In a sense I will resurrect the daughter of Saturn, as the Saturn cult was very much alive here in Atina, and nowadays the local people are very aware of this fact, I think they will understand me.

During my research in Atina library I found a correlation between Saturn and the Greek god Janus, the god of principles and ends, of gates, transitions, duality, edges of entrances and passages. Janus gave his name to the first month of the year, January. Ruled by Capricorn! It is said that Camese, sister of Janus was worshiped here in Atina, through some sort of syncretism, some ethnologists found that she was like a “kind of Egyptian Camese”. Saturn gave the name “Satur-day”, the last day of the week and the transit back to the first day of creation, because in nature everything is reborn again the day of Saturn marks this transition.

I’m going to make a parenthesis here because I find it interesting that the animal consecrated to the ancient goddess of Lusitania, Atégina, whose name is so similar to Atina, was the goat. Perhaps an influence from the ancient Greeks, North African and Middle East who all colonised or traded in our Portuguese coastlines as well?

Dia 6

24.8.2019

As “ciocias” são uns sapatos típicos de Atina de pontas alongadas e viradas para cima, que me lembram cornos.

Experimento com a canção dos peregrinos à deusa negra na minha flauta.

De noite com as luzes apagadas, abro a janela aos montes e toco para eles uma doce melodia à sua deusa, a bodes imaginários, como se eu pastora fosse. E assim fico a tocar virada para as estrelas.

Hoje finalizei a peça que irei usar na cabeça. Um objeto que faz lembrar cornos e consegui incorporar o típico “Uammacile” que Luciano da biblioteca muito bondosamente me ofereceu!

Guiada pelo meu subconsciente apercebi-me que tinha criado uma coisa que se assimila muito aos penteados antigos Greco-Romanos que as mulheres usavam.

Um outro aspecto que era típico de Atina, quando as mulheres jovens da vila saíam à rua, levavam os “Garofanos”, que significa Cravos. As solteiras seguravam apenas um cravo branco e as casadas apenas um cravo vermelho.

Já falei com a florista ( que também toma conta da drogaria e de uma outra lojinha que vende bric a brac do outro lado da rua!). Ela vai trazer uma quantidade razoável de cravos brancos e vermelhos.

É a minha intenção durante a minha Performance dar cravos ou vermelhos ou brancos às mulheres e raparigas em Atina.

O meu fato tem algo de diabo feminino, o que está no ponto, visto ela ser a cabrita, a diaba mas só porque assim a quiseram chamar! É preta, como a fábula de Jesus quando disse que no fim dos tempos iria separar o “rebanho”, as ovelhas para um lado e os bodes para o outro. Mas eu NÃO SOU OVELHA. Não sigo líderes, antes, sou livre. SOU CABRA!

Ela tem toda a profundidade negra da deusa da terra.

Assim como a imagem do diabo, tornou-se um bode, da terra, do que nos liga e segura ao mundo material.

Mas até na terra e debaixo dela há magia, a magia da criação é divina em todo o lado.

Portanto se tudo é divino, a deusa Capri também o é. Ela escala a montanha até ao Céu e depois volta a descer exercendo a sua liberdade.

The “Ciocas” are traditional shoes with long, upturned toes that remind me of horns. I experiment with the pilgrim song to the black goddess in my flute. At night with the lights out, I open the window to the mountains and play a sweet tune to their goddess, to imaginary goats, as if I were a shepherd. I play to the stars.

Today I finished the piece that I will wear on my head. An object reminiscent of horns and I managed to incorporate the typical “Uammacile” that Luciano from the library very kindly offered me. Guided by my subconscious I realized that I had created something that closely resembles the ancient Greco-Roman hairstyles that women wore.

Atina’s young women wore “Garofanos” or carnations to signal their availability to foreseeable partners. Single women held one white carnation and the married ones carried a red carnation.

I asked the florist (who also takes care of the drugstore and another shop that sells bric a brac across the street!). She will try to bring in a fair amount of white and red carnations. It is my intention during my Performance to handout red or white carnations to women and girls in Atina.

My costume has the look of something of a female devil, she is after all the she-goat. I’m certainly not a sheep, I don’t follow leaders, I’m free. I am a goat! She has all the dark depth of the earth goddess. Like the image of the devil, he has become a goat of the earth, which binds us and holds us to the material world. But even on earth and beneath it there is magic. The magic of Creation is divine, so is the goddess Capri, in her rightful freedom she reaches high towards the heavens and she makes her graceful descent too.

Dia 7

26.8.19

Os cravos não chegaram, portanto comprei papel crepe para fazer cravos para usá-los na minha indumentária. Adaptei -me, fiz um colar de cravos que usarei à volta do pescoço.

Nestas duas semanas o período veio dia sim, dia não. Qualquer energia aqui está a implicar com o meu sistema interno.

Ontem fui assistir à missa das 11 horas. Achei por bem mostrar cara e testemunhar a devoção da populaça de Atina. A igreja estava cheia, o que me surpreendeu, parece que os Atinenses em geral são muito devotos.

As rezas eram ao mesmo tempo familiares e não eram, pela proximidade da língua italiana e portuguesa. Como dizia um amigo “ Fui à missa ou ao Shabbat para receber bênçãos”. Quis absorver o espírito de devoção, não porque sigo alguma denominação religiosa, mas para imbuir a minha alma de algo que me transcende a mente física.

À noite a Jude organizou uma procissão à luz da vela até à capelinha do ermo St. Cruce. Entrámos em vocalizações experimentais que quase assustaram os locais. Jude saiu da capela e disse aos locais que se sentavam às portas das suas casas que éramos todos católicos. Foi engraçado.

The carnations didn’t arrive, so I bought crepe paper to make carnations to use them in my dress. I adapted, made a paper red and white carnation necklace that I will wear around my neck. In these two weeks my period came every other day. Some energy here is affecting my internal system. Yesterday I went to the 11 o’clock mass. I thought it was good to show face and witness the devotion of Atina’s population. The church was full, which surprised me, it seems that the population of Atina in general are very devout. The prayers were both familiar and not, because of the proximity of the Italian and Portuguese languages. As one friend said, “I went to Mass or Shabbat to receive blessings.” I wanted to absorb the spirit of devotion, not because I follow any religious denomination, but to imbue my soul with something that transcends my physical mind.

In the evening Jude organized a candlelit procession to the chapel Di Santa Croce. We got into experimental vocalizations that almost scared the locals. Jude came out of the chapel and told the locals sitting outside in her best Italian that “don’t worry, we are all Catholic”. It was funny.

Dia 8

27.8.19

Nesta noite fiquei sozinha na capela da Madonella até quase às 2 horas da manhã a olhar as estrelas, no silêncio e escuridão da noite rodeada apenas pelas árvores e o espírito sossegado da natureza. Achei depois que algo me observava, e que provavelmente não estava completamente só. Talvez animais, ou quem sabe, na minha imaginação quase infantil de espíritos da natureza.. esta inspira temor e depois, consciente deste ritual de passagem desci sozinha o monte às escuras, usando ocasionalmente a luz do telemóvel, porque o meu instinto humano primordial fazia- me imaginar lobos à minha espera!

Ri-me dos meus próprios pensamentos.

Relaxei.

Sente- se sempre um alívio quando se retorna a qualquer espécie de civilização.

Entretanto descobri num dos livros recomendados por Orazio sobre a origem de Atina, a conexão de Saturno a Janus, que deu origem ao nome do mês de Janeiro, portanto ambos com conexões a inícios e transições. Logo está, “Capricorniano”.

Tonight I needed to be left alone in Madonella’s chapel, I stayed until almost 2 am gazing at the stars, in the silence and darkness of the night surrounded only by the trees and the quiet night spirit of nature. After a while I felt as if something was watching me, probably I wasn’t completely alone. Maybe and very likely there were animals around, or perhaps in my almost childlike imagination, nature spirits .. Nature can inspire fear, conscious of this rite of passage I walked down the hill conscious of my solitude occasionally using the light of the phone, because my primordial human instinct was to imagine wolves waiting in the shadows! I laughed at my own thoughts. You always feel a relief when you return to any kind of civilization.

In one of the books recommended by Orazio about Atina’s origins I found out about Saturn’s connection to Janus, which gave the name to the month of January, therefore both with connections to beginnings and transitions. Therefore one can say, Atina is very “Capricocornian”.

Dia 9

28.8.19 a 29.8.19

Dia da instalação da exposição.

Lisa queria fazer uma procissão fotográfica à volta da capelinha de St. Croce. A mesma onde fizemos a procissão experimental. Índia R. Evans tirou fotografias, já não não sei bem porque alinhei nesta ideia, talvez porque me lembrou dos Caretos de Portugal, que também são tradicionais na Itália. As máscaras da Lisa e o vestido que a Paola fez tinham todo o ar dos nossos Carnavais europeus, que é um evento étnico Europeu de origens milenares. Quem explorou bem este assunto foi Charles Freger com o seu livro “The wilder man”, uma documentação fotográfica que durou 15 anos, tal não é a profusão deste acontecimento em muitos dos países da Europa que muitos indígenas eles próprios o conhecem como algo que acontece numa espécie de bastidores da memória cultural sem mesmo o compreenderem.

Estava calor e ao regresso conhecemos o artista local Marco de Luca, que nos convidou a entrar para conhecer a sua casa e estúdio.

De repente veio sobre mim uma febre estranha.

Exhibition installation day.

Lisa wanted to do a photo procession around the little chapel di Santa Croche. The same chapel where we did the performative/ experimental sound procession. India R. Evans took photographs, I liked this idea, perhaps because it reminded me of the “Caretos” of Portugal, which is one of the many versions existent in Europe and also traditional in Italy. Lisa’s masks and the dress Paola de Ramos made had all the air of those European Carnivals celebrated around February, this is a truly European ethnic event of millennial origins. Charles Freger explored this subject well with his book “The Wilder Man”, a photographic documentation that took him 15 years to accomplish, such is the variety of this rather mysterious event in Europe sitting in the back of our cultural memory and that many know off but do not truly understand.

It was very hot that day and on our way back we met local artist Mario de Luca who invited us in to see his house and studio.

I suddenly came down with a strange fever.

Abaixo o link a que me referi sobre Charles Freger.

About the work of Charles Freger:

http://www.charlesfreger.com/portfolio/wilder-mann/

You can find all of India Roper-Evans’ films and photographs on her Facebook page.

Thursday 29.8.19

Abertura da exposição na Cantinone, apesar de não ter havido quem estivesse ao encargo da curadoria, a exposição dos vários trabalhos ficou espetacular.

Como já faz parte do meu processo artístico, tendo a desenhar e fiz três desenhos usando o lado esquerdo e direito do cérebro. (Um dos desenhos na imagem acima)

Num deles pode-se adivinhar a indumentária da performance pendurada no grande espelho e como desenhava o reflexo, portanto dualidade e usando as duas mãos para desenhar.

Todos estes gestos e processos fazem parte da minha jornada nesta Residência artística. Incluí os objetos que iria usar na performance e acompanhantes desenhos.

A minha atração por este projecto foi sempre desde início o lado devocional de Atina. E atrai-me as raízes pagãs das devoções, que é sempre o caso.

Pelo que aprendi na biblioteca local e a ouvir as instruções de Orazio e Luciano a Mefite é a deusa do vulcão, uma deusa com energias negras de lava, dizia- me Orazio que os antigos faziam ex-votos de mãos, pés ou patas e cabeças de animais como ofertas à deusa. Mefite deu o nome ao rio Melfa.

Na workshop de Cyanotype conduzida por Riitta Hakkareinen imprimi as minhas mãos, pés e rosto para talvez incorporar na minha indumentária da Performance.

Luciano um dia cantou- me o refrão dos peregrinos: “ E viva Maria del ermo Canneto”.

Foram todos estes retalhos que usei para construir a minha performance. Na verdade a performance era uma espécie de devoção e graças às pessoas de Atina, que eu conheci e que me ensinaram tantas coisas interessantíssimas sobre a sua cultura e história.

Numa das noites deu-me para escrever um poema numa linguagem muito própria. Uma língua creola que inventei, que era uma mistura das quatro línguas Romance, porque são quatros as que me são mais familiares, português, espanhol, francês e italiano.

Day of Opening of the exhibition at Cantinone, although there were no curators the exhibition of the various works was spectacular. As it is already part of my artistic process I made some drawings using the method of left and right side of the brain. (One of my drawings in the image above)

In one of them hopefully you can guess the performance attire hanging in the large mirror, aptly I drew the reflection, “mirroring” that process by using both hands to draw – maybe that way I also expressed the duality of Atina. All of these gestures and processes are part of my journey in this residency. Although I did not intended initially, at the last minute as there was space, I included in the exhibition the objects I would use in the performance and accompanying drawings.

My attraction for this project was always from the beginning the devotional side of Atina. I’m always attracted to the pagan roots of these devotions, as it’s often the case.

As I learned from the local library and listening to Orazio and Luciano the Mefite is the goddess of the volcano, a goddess with black lava energies, Orazio told me that the ancients made ex-votos of hands, feet or paws, and heads of animals as offerings to the goddess. Mephite named the river Melfa. One quiet afternoon in the library Luciano sang the refrain of the pilgrims: “And long live Maria del ermo Canneto”.

In the Cyanotype workshop ran by Riitta Hakkareinen http://ritardando.org I made impressions of my hands, feet and face so that I could incorporate them somehow in my Performance costume.

With all these pieces I slowly built the psychology and soul of my Performance. My Performance was a kind of devotion and I have to thank the local people I befriended in Atina who taught me so many very interesting things about their culture and history.

One night I became inspired to write a poem in a language of my own making. A kind of Romance creole language that I invented, which was a mixture of the four Romance languages, because there are four that are most familiar to me, Portuguese, Spanish, French and Italian.

“Capri caprese quantos dioceses

Hai encontrado nes’ mundo alargado

P’rgrinos devotos de nostros cornotos

Tu patas di cabra caminhos se abram

No fim de lei século secretos s’escabram

Capri cornudo pois tais tão sisudo

Se veres mi riso é porque preciso

Vestirme n’ entrudo com todo tu friso

Bonita e caliente estarais aq-ui sempre

Saturno é tui dios e alto tu vades

Montanas acima el mundos’ arriba

Quien sabe ç’un dia tu portas al Hades

Desciendo, desciendo bien alto de cima”

Nesta noitinha convidei a artista brasileira Paola e a Antonella que é da Argentina para lhes ler este meu poema para ver se compreenderiam o seu significado, sem dúvida conseguiram entender apesar de as palavras que usei eram uma misturada de línguas diferentes!

That evening I invited Brazilian and Argentinian artists Paola and Antonella to hear my poem just to see if they could make out any meaning from it. They were able to understand even though the words were a mash up of languages!

E outro:

Another poem:

(Atina

Capri dea Bella

Filia di Cronos

En na primavera

Hai Flores en tu cornos)

Continuei a praticar na minha flauta a canção dos peregrinos e usei a “procissão “ da Lisa Mckendrick de manhã para uma espécie de ensaio de traje pessoal. Podem ver mais sobre o trabalho artístico de Lisa aqui: https://instagram.com/lisa_mckendrick?igshid=w40qih95i7q7

Orazio dizia -me também que visto Atina ser filha de Saturno, conta-se a legenda que Cronos -o Saturno grego quando foi expulso de Olympus foi forçado a pereambular pela terra como um migrante, disfarçado como pastor de cabras. Pensa-se até que a lenda do Minotauro esteja conectada com Cronos. Este fundou a ilha de Cnossos e entre outras chego a Atina, onde ensinou os locais a agricultura, o pastoreio de cabras, a ciência da guerra e como construir muros e muralhas.

A outra teoria é a conecção com a terra de Canaã, quando Israel na antiguidade tomou posse deste território, os refugiados chegaram até à Itália e nomeadamente Atina.

Que Orazio e os livros de arqueologia na biblioteca que consultei confirmaram que a origem do povo italiano vem da Líbia e que estes trouxeram o antigo culto egípcio de Isis que posteriormente deu origem à devoção da Madonna com o filho ao colo e especialmente em certos lugares da Europa, a Madonna preta. A Igreja insistiu na sua transformação de uma devoção a Cristo.

Julga-se então como é de esperar, especialmente nos países cuja proximidade com o mar mediterrânico, que tenha havido um sincretismo nos costumes, devoções religiosas e linguagem, dando origem à peregrinação atual da Madonna Di Cannetto.

Tenho que mencionar que apesar de não poder ter acompanhado a excursão até Melfa, que ouvi dos outros que a igreja tinha construído uma capela em cima da passagem que dava à antiga capela pagã e que além disto a cobriu por completo debaixo do chão, como que a intencionar enterrá-la. Para mim e todos, fomos da opinião que isto era um sacrilégio à cultura e arqueologia local.

Mas como se comenta na Psicoanálise, o que se pensa enterrar e calcar nunca desaparece e volta de novo à superfície, movendo o subsolo cria fissuras que ao serem calcadas ainda mais se tornam feridas com o tempo, como uma experiência mal vivenciada e renegada.

I continued to practice the pilgrim song on my flute and used Lisa Mckendrick’s “procession” in the morning for a kind of personal dress rehearsal. You can see more about Lisa’s artwork here. https://instagram.com/lisa_mckendrick?igshid=w40qih95i7q7

One day Orazio also told me about the background story of Atina as Saturn’s daughter, it is said that Kronos – the Greek (later Saturn by the Romans) when expelled from Olympus was forced to roam the land like a migrant, disguised as a goat herder. It is thought the legend of the Minotaur is connected with Kronos. He founded the island of Knossos and among others came to Atina, where he taught the locals agriculture, goat herding, the science of war and how to build walls. The other theory is the connection with the land of Canaan, when Israel in ancient times took possession of this territory, the refugees came to Italy and particularly Atina.

Both Orazio and the library archeology books I consulted confirmed that the origin of the Italian people is Egypt and possibly from Libya and that it was through this migration that the ancient Egyptian cult of Isis came to Atina, which later gave rise to the devotion of the Black Madonna holding her son, the Church insisted on transforming this devotion into a Christian belief. This syncretism is to be expected, especially in countries whose proximity to the Mediterranean Sea due to their closeness gave way to a blending of similar religious devotions and words, echoing in such events as the pilgrimage of Madonna Di Cannetto.

I have to mention that although I could not accompany the excursion to Melfa, I heard from others that the church had built a chapel over the passage that led to the old underground pagan chapel dedicated to Mefite completely covered it under the floor, as if intending to bury her. To us this was a sacrilege towards local culture and archeology. But as commented in Psychoanalysis, the thought of burying something does not make it disappear completely but comes back to the surface, moving the subsoil and creating fissures that, when pressed further, become like a scar over time.

Dia 12

30.8.19 Lua Nova

Dia de abertura para Performances.

Com os meus retalhos e anotações e usando o que tinha à minha disposição, com a minha indumentária feita de rede preta e collants pretos ( tradicionalmente um aspeto do traje da mulher mediterrânea), assim esperei pelo pôr-do-sol. Caminhei lentamente sozinha com a minha flauta na mão e os meus chifres até à Madonella, imbuída de uma vaga ideia que se calhar eu era mais a encarnação de Atégina a deusa cabra dos Lusitanos ( meu povo ancestral!) e que o toque e música da minha flauta era a chamada de uma pastora às suas cabras na montanha.

Ora todos sabemos que a Igreja transformou os faunos e entidades naturais da floresta e montanhas em bodes satânicos! Portanto, parte de mim encarnava a mulher diabólica, uma Lilith, mas que ao mesmo tempo chamava o povo local a lembrar-se de quem realmente era e a não esquecer as suas origens e raízes.

Iniciei a minha performance sozinha no monte da Madonella a tocar a canção dos peregrinos às árvores e arbustos, desci e como usava ao pescoço também um guiso de cabra, tudo isto se tornou numa sinfonia de ritmos, ora caminhava baloiçando o guiso ora parava e tocava a todos que passavam a “minha” música.

Era um improvisado melódico também, evocando o som das flautas nas montanhas que conheço dos pastores em Portugal quando chamam os rebanhos.

Qualquer coisa de Mefite romântica apossou-se de mim, e algo de sensível tocou nos locais, pois inicialmente temi até que iria assustar crianças e animais, mas ao contrário! Eram os que paravam fascinados e atentos a ver- me e a ouvir-me!

Quando entrei na vila antiga, passando pelas outras performers, parava à frente ou debaixo de janelas acesas ou entreabertas a chamar os que lá dentro estavam com a melodia Capricórnica da “filha de Saturno”.

Possui-me de um sentido feminino, da deusa da terra e das montanhas, tentando evidenciar este aspeto sem anular de modo algum o lado masculino, porque a minha arte é uma performance de alquimia, de união de polos.

Também devo salientar que canalizei um sincretismo da ideia de Moisés descendo do Monte com os raios de luz que lhe saíam como cornos reluzentes da cabeça, com as três fases da lua que são representadas na cabeça de Isis, e que no Egipto era o sol atrás dos cornos da vaca.

Na minha cabeça carregava a luz da lua ( cujo dia 30 de Agosto coincidiu precisamente com a Lua nova) – no conceito pagão europeu a lua rege as mulheres pois os seus ciclos menstruais são iguais aos ciclos lunares.

https://vimeo.com/360861963

On this night – NEW MOON!

Opening day/evening for Performances.

I wore what I made and adapting what I could find, plus my internal notes, my dress was made of black netting and black tights (traditionally an aspect of the Mediterranean woman’s attire). I waited for the sunset then walked slowly alone with my flute in my hand and my horned headpiece up to Madonella, imbued with a vague idea that perhaps I was more the embodiment of Atégina, the goat goddess of the Lusitans (my ancestral people!) And that musical flute was a shepherd’s call to her mountain goats. Now we all know that the Church has transformed the fauns and natural entities of the forest and mountains into satanic goats! So part of me embodied the devilish woman, a Lilith, but at the same time calling local people to remember who they really were and to remember their origins and roots.

I started my performance alone on the hill of Madonella playing the pilgrims’ song to the trees and bushes, I wore a goat’s bell around my neck, this all became a symphony of rhythms, I walked in a pace and rhythm that made the bell swing, alternating to stop and play to all I passed “my” music. It was the Madonna Di Canneto pilgrims song but also I improvised around that melody, evoking the sound of the flutes in the mountains I know of the shepherds in Portugal as they call the flocks. Something of the romantic Mefite possessed me, and something about these gestures touched the locals, because at first I was worried I might scare children and animals with my dark outfit, but quite the opposite happened! They were the ones who stood most fascinated and attentive to see and hear me! When I entered the old village, passing the other performers, I would stop in front of or under lit or open windows to call those inside with the “daughter of Saturn’s melody,”

This personae I embodied was the feminine essence of the goddess of land and mountains without in any way nullifying the masculine side, because my art is a performance of alchemy, an attempt to blend opposites.

I thought that maybe I was also channeling and subverting the idea of Moses descending from the Mount with the rays of light that flashed out from his head like shimmering horns, wearing the three phases of the moon, or the light and horns in the head of Isis.

My headpiece had a light ( Homage to the moon – whose August 30th coincided precisely with the New Moon) – in the pagan European concept the moon rules women because their menstrual cycles are the same as lunar cycles.

Images of My Performance at Il Cantinone:

Myself with flute and Ali Darke performing at the Il Cantinone.

Art Residency organised by Jude Cowan Montague and Chris Simpson

https://www.judecowanmontague.com/

https://www.cjsimpsonartist.com/

Staging an archetype

November 29, 2017

7F2DAC5B-893D-4739-85AA-B5681C233DEE

A jacket for a Goddess

September 8, 2017

The finished jacket for the possible Pilgrimage.

Each bead and embroidered detail has a meaning.

Catching her soul. Drawing completed 28th July.

July 29, 2017

New: Paintings 

January 13, 2017


The last three months I completed 4 paintings. Here are three of them. 

Colour, theme, mark making are aspects of a sort of alchemy I’ve been trying to achieve for some time now. I’m on a new and perhaps a renewed route, one that makes sense to me at the moment. 

I have this intense feeling that I’m on a path I feel I cannot return from. And maybe I’ve been avoiding it for many years, denying a space in an art compartment, but here, at last, I feel very much at ease. 

Paintings dimensions are approx. 32’x 26′

Alexandra Santos 

Monsters and Therianthropes

October 17, 2016

Work in progress… monsters and therianthropic dolls, inspired by dolls’ anthropological symbolism and the wild-man festivities celebrated throughout Europe.

http://www.alexandrasantos.com

One of a series of dolls. I’m fascinated by the use of dolls and their significance. See www.alexandrasantos.com for Freud performance images.

September 22, 2016

Subverting a drawing

July 29, 2016

IMG_1414_edited-1

One of my birthday presents was a box of tinted charcoal. I set about tinting my existing charcoal drawings and now I’m addicted.
With my new tinted charcoal pencils I executed this drawing amongst others. This one is from a landscape view of Bath across the bridge by the train station.
My friend thought it resembled a woman’s open thighs… he is not wrong. I can be a bit subversive at times.
The cluster of houses and green lush tapestry blankets nest amongst two robust fertile hills and hence forth and in between them the waters flow!

http://www.alexandrasantos.com

 

Perfectly framed

July 6, 2016

IMG_1224

Today I walked to my studio by taking my usual summer detour via Maryon park. Maryon park must be the most underrated park in London, tucked away on the side of displeasing Woolwich road. Unlike Greenwich park, it is always very quiet and sometimes there is not a soul in it as I walk through. One forgets the traffic humming on the busy road nearby.

The sunlight splattered droplets of neon green everywhere on the foliage, and as I walked up I was struck by this beautifully framed view, the branch forming a loop over the clearing.

Nature is the best artist!

# http://www.alexandrasantos.com

Theriantropes/theriantropy

February 2, 2016

ArtHabens 1st pages

Theriantropy is the mythological ability of human beings to metamorphose into animals by means of shapeshifting. This concept is as old as mankind, and it is deeply connected to Shamanic practices. Maybe it is a proof of our deep connection to the animal world, rather than our separation from it.

# http://www.alexandrasantos.com